Lucas Mendes

O dia-a-dia do Redator

In Prosa (textos) on 03/09/2010 at 13:30

Enchendo o vazio

-Escrever? Mas escrever o que?

O papel em branco, mesmo sendo o do Word, acaba atuando como um inimigo do meu processo inicial de Brainstorm, confesso.  Acho que isso significa dizer que posso começar o meu processo de construção de um texto muito antes de levá-lo ao papel, no Planejamento. Ué, um texto de redação falando sobre planejamento? Não, no entanto, vou relembrar o coelho da Alice, a do País das Maravilhas. Alice, enquanto corria da Rainha de Copas, encontrou o coelho branco. Assustada, perguntou para qual caminho seguir. Logo, o coelho respondeu com outra pergunta: Pra onde você quer ir? E Alice: Para qualquer lugar. Concluiu o coelho: Então siga qualquer caminho. Planejar o caminho a se percorrer parece óbvio, mas não é o que muitas vezes acontece com quem pretende chegar a algum lugar.

Certa vez, durante o meu expediente, chegou-me um Job, se é que posso chamar assim um e-mail contendo duas frases resumidas do que deveríamos trabalhar em cima, pedindo que fosse criado um Spot (campanha destinada à radio) de 30”. Daí, segui até a sala do meu chefe e tentei extrair mais informações a respeito da peça, pois, como eu iria me comunicar com alguém que eu não conheço? Na maioria das vezes, no dia-a-dia de agência, os pedidos chegam como um labirinto de informações e cabe a nós “criativos” desenvolvermos e sondarmos as soluções para os possíveis problemas do anunciante. “Ah, mas redação basta combinar as palavras certas com o propósito do anunciante e uma sacadinha no final”. Provavelmente vários anunciantes pensam assim, igual a vários donos de agencias que tem suas especialidades voltadas à DA. Vou tentar ser mais claro. O que quero dizer sobre o papel em branco, a Alice e os pedidos de criação é a maneira como podemos resolvê-los. O que queremos comunicar? Para quem? Onde? Quando? Como?  Pensa mais quem questiona mais. Pegando carona com um comercial recentemente veiculado: e se? Questione. Descubra. Mude.

Então, sempre que me pego em um destes labirintos, começo a jogar merda no ventilador (Brainstorm), como diz o Montanha (DA da agencia que trabalho).
Além de colher as informações necessárias a respeito do produto anunciado, tenho que me encher de informações gerais que possam, através de um raciocínio criativo, servir-me de pontapé inicial no processo de criação e evolução da comunicação. Para fugir da mesmice, preciso pensar além ou o inverso do que todos pensariam como solução para o problema. Antes não sabia nem o que escrever nesse post e agora venho com o pensar além do que pensariam pessoas com um pensamento comum. Poderia até ser cômico se não fosse real, mas é nisso que se baseia a construção de um texto criativo e, por que não dizer, original. Assim, meus dias vão passando e cada vez mais tenho que me encher de dúvidas para que surjam as soluções. De preferência, uma grande solução. E, quando me pergunto sobre o que escrever: penso, logo escrevo.

L.M.

  1. Sim, e cabe a nós sempre sermos originais e ousados, mas quando o cliente é careta e conservador? aí lá vamos nós de novo desenrolar. Tá show Lucas ;D

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: